Quem Sabe? Poesia de Jesuana Sampaio.

Arte cedida pela Caco ilustradora de São Paulo. @dopamin4

Quem sabe do tanto de mundo que carrega uma história,
uma vida,
um ventre,
uma vagina,
um corpo,
um ser?

Quem sabe da dor, do sentir
dessa história,
dessa vida,
desse ventre,
dessa vagina,
desse corpo,
desse ser?

Quem sabe de todas as violências
Nessa história,
Nessa vida,
Nesse ventre,
Nessa vagina,
Nesse corpo,
Nesse ser?

Quem sabe a força do grito?
Quem grita?
Quem escuta?
Grito é só o ranger de um leão?
Ou o ranger de um homem oprimindo uma mulher?

Quem sabe o peso de um assédio?
Quem assedia?
Ora, ingênuo imaginar que sente o peso quem grita, que sente a dor quem a causa.

Quem conhece o coração de quem?
Eu conheço o coração das mulheres e sei,
O tanto de mundo,
O tanto de dor,
O tanto de sentir,
O tanto de violência,
O tanto de grito,
O tanto de peso que tem
Nas nossas histórias,
Nas nossas vidas,
Nos nossos ventres,
Nas nossas vaginas,
Nos nossos corpos,
Nos nossos seres.

Nenhum silêncio enfiado
Nas nossas histórias,
Nas nossas vidas,
Nos nossos ventres,
Nas nossas vaginas,
Nos nossos corpos,
Nos nossos seres.
Nenhum silêncio!

Ontem eu estive no olho do furacão
e de lá te mandei lembranças.
Posso ser um pesadelo, sabia?
Mas se hoje o sou é porque tu fostes primeiro.
Quando pensou que calou a minha voz
Surgi em plena rebeldia acompanhada de minhas irmãs.
Nenhum silêncio a ti.
A mim, nenhum medo.
Tenho a força das mulheres comigo e somos nós
que embucetamos o mundo.

Por Jesuana Sampaio, nascida em Fortaleza-CE é poeta, artesã na Bioafetiva Cosmética natural. Formou-se em Pedagogia pela Universidade Federal do Ceará, tem arriscado voos nos estudos de Psicanálise, Tarot e Numerologia.
Em 2014 lançou Cotidiano Poético, seu primeiro livro de poesias, promoveu saraus e rodas de conversas sobre seu livro em diversos estados brasileiros dos quais mochilou por um ano. Participou das Antologias: Sarau da B1 (FortalezaCE, ago, 2016), O olho de Lilith (FortalezaCE, maio, 2019), e da Antologia Internacional Cartas Íntimas (SampaSP, março, 2019).
Tem inventado versos na coletiva Água na Peneira, atuado politicamente na Coletiva Muvuca, mora desde 2016 na Zona sul de São Paulo, atualmente no Campo limpo.
Iniciou sua escrita aos 14 anos e desde então, poesia é morada dos seus dentros.

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